As brigas que ganhei, nenhum troféu
Como lembrança, pra casa eu levei
As brigas que perdi, essas sim
Eu nunca esqueci
Eu nunca esqueci“Perdendo dentes”, Pato Fu
Eu não sei exatamente como isso acontece. Deve ter alguma coisa a ver com astrologia, tipo marte entrando na casa do não sei onde. Mas o fato é que às vezes eu surto. Fico pronto pra discutir com todo mundo e levar tudo às últimas consequências. Acho que o mundo deveria ser um lugar perfeito e que todo mundo que não se comporta de acordo com o programa tem que levar um enquadro. E quando eu vejo, já arranjei briga com família, amigo, namorado, síndico, chefe, vizinho, terapeuta, dentista e taxista. E mais um ou outro passante ocasional que cometeu o sacrilégio de jogar lixo no chão na minha frente.
Dura umas duas ou três semanas. E depois passa. Quer dizer, depois passa essa minha empolgação beligerante; mas todas as brigas que eu tive e todas as coisas que eu disse continuam lá, passadas porém presentes. E lá vou eu correr atrás do prejuízo. Ou, na maioria das vezes, fazer a contagem de corpos...
Meu único consolo (e esse é um consolo e tanto) é que meu
animus belli me tira o bom-senso mas não o juízo. Nenhuma das discussões em que me enfio é injusta. Elas são quanto muito desnecessárias. Casos em que eu poderia simplesmente respirar fundo ou dar de ombros. Mas que naquele momento eu preferi encarar de frente.
Rola desculpas? Rola. Com bastante frequência, até. Mas eu me desculpo pelo exagero da minha reação. Nunca por ter reagido.